Eu Tenho Febre…

Quem me conhece bem sabe que eu adoro a Marina Lima. Desde quando eu nem sabia quem era, seu rosto, cabelo, corpo, cor, mas sua voz rodeava acontecimentos inclusive nos lugares mais inesperados, como numa barraquinha/loja na lotada rua 12 de Outubro, Lapa.

A chegada de um aparelho de ouvir música na minha casa foi uma revolução…

Tocava rádio, fita K7 e abria uma gaveta onde dentro havia 3 espaços redondos. Um dia, assistindo TV, vi Marina no Altas Horas e decidi gravar a apresentação dela através nesse aparelho, converti numa K7 e fiquei ouvindo por muito tempo. A voz me toca profundo, Fullgás foi meu primeiro amor. Nada eu sabia sobre paixões, acredito que a música me revelou meandros sobre esse e tantos outros sentimentos, eu queria abraçar meu país além de meus pais e amigos. Achava mágico esses enredos que ela diz cantando. Fui uma criança sem graça pra outras crianças, eu sentava na sala de casa, em Taipas, pra ouvir com atenção Marina e seu violão saindo do meu som.

Imagine. Eu sentia pena da “Pessoa” que ela rejeitava por medo de amar e sofrer; sentia raiva de quem não sabia o significado de “Pierrot”; Sentia um palpitar frenético quando ouvia “Não Estou Bem Certa”(por timidez eu abaixava o volume do som, ouvia baixinho, tamanha identificação). Entre tantas outras emoções ao ouvir e sentir suas canções. Minha realidade enquanto criança gay periférica era abraçada pelas sensíveis canções fortes de Marina Lima.

Em meu aniversário de 14 anos, cheguei da escola, limpei a casa inteirinha, como sempre eu fazia, e coloquei a fita de Marina pra ouvir, aquela que gravei do Altas Hora. E quando acabava, eu voltava a fita, e assim rolavam as minhas tardes adolescentes. Fiz da vassoura guitarra, do controle remoto microfone, do pano de prato fiz lenço… Quando fui ver eu estava envolvido querendo fazer top less virando sereia por aí…

No fim da tarde daquele mesmo dia minha mãe chegou do trabalho acompanhada de minha irmã. Elas sempre chegavam em horários diferentes, mas era meu aniversário. Me abraçaram e entregaram algo quadrado e fino. Rapidamente abracei elas mesmo sem saber o que era. Elas disseram: “abre!”, e eu abri ligeiro, quando vi era um CD de Marina Lima, um CD chamado “Síssi Na Sua”! Não sei descrever a minha alegria, se abraçava mais, se beijava o CD… Minha irmã me ensinou a mexer no aparelho de tocar música: “Aqueles três espaços redondos é pra encaixar os CDs, quando acabar ele gira automaticamente e você vai ouvir a outra parte…”. Escutei aquele álbum todo santo dia, com atenção, sem passar uma música. Acho o máximo até quando ela apresenta e destaca a sua banda antes de cantar “Pra Começar”. De lá pra cá conquistei a maioria de seus álbuns, tá tudo no meu baú de tesouros a quarto aberto.

Marina fez parte da minha formação de vida. Me vi pesquisando palavras, assuntos e pessoas através da sua música. Me vi revisitando sua obra e lembrando de uma parte de mim que eu não posso abandonar. Me vi aumentando o som no volume 100 quando quebrei meu armário…

E aí percebi que a arte não tem fronteiras.

A internet é uma ponte quase cósmica, foi no Twitter onde Marina me conheceu. Eu não acreditava que ela respondia minhas mensagens, rs, me dava uma alegria atrás da outra!

De lá pra cá o respeito, o carinho, a admiração e o amor que sinto por essa brasileira apenas e simplesmente cresceu, assim como eu, assim como ela merece e é: Uma grande referência para quem sente e pensa.

Numa noite dessas, eu observando a lua no céu, ouvindo Novas Famílias pelo celular, a vida me manda mais um sinal de que a única morada do ser vivo é no extraordinário. Sinal este que deu um pulsar mais forte e confiante em meu coração.

Marina me moveu para conhecer e sentir o mar que ela navega há tantos anos chamado CORAÇÃO DE GENTE. MÚSICA. VIDA. ARTE. POESIA. Escrevo em caixa alta porque o mundo dela é grande e cabe todos nóis.

Eu, uma leve embarcação, quero permanecer levado assim…

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